Manoela Alcântara

Canal de WhatsApp Exército do Lula
Canal de WhatsApp Exército do Lula · Imagem: Reprodução/WhatsApp

A área técnica do TSE, no entanto, aponta evidências de atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais no canal

Área técnica do TSE não vê fake news em canal “Exército do Lula” - destaque galeria
Área técnica do TSE não vê fake news em canal “Exército do Lula” - destaque galeria · Imagem: Source: www.metropoles.com

Manoela Alcântara

Campanha de Flávio Bolsonaro pede a derrubada do canal pró-Lula
Campanha de Flávio Bolsonaro pede a derrubada do canal pró-Lula · Imagem: Source: www.metropoles.com

12/10/2026 11:41, atualizado 12/10/2026 11:55

Ministro Kassio Nunes Marques, do TSE e do STF
Ministro Kassio Nunes Marques, do TSE e do STF · Imagem: Source: www.metropoles.com

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Canal de WhatsApp Exército do Lula
Canal de WhatsApp Exército do Lula · Imagem: Source: www.metropoles.com

Análise técnica elaborada pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, não identificou a veiculação de notícias falsas específicas no canal de WhastApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

Imagem da matéria: Área técnica do TSE não vê fake news em canal "Exército do Lula"
Imagem da matéria: Área técnica do TSE não vê fake news em canal "Exército do Lula" · Imagem: Source: www.metropoles.com

No período examinado, entre os dias 2 e 11 de outubro, a equipe técnica do TSE analisou as mensagens públicas do canal e não encontrou reproduções das afirmações investigadas nos autos — as quais envolviam supostos cortes de benefícios sociais, alteração de aposentadorias ou temas religiosos.

Área técnica do TSE não vê fake news em canal "Exército do Lula"
Área técnica do TSE não vê fake news em canal "Exército do Lula" · Imagem: Source: www.metropoles.com

No entanto, a assessoria técnica do TSE vê riscos no canal e aponta “evidências de atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais”.

O parecer ressalva ainda que parte do conteúdo publicado anteriormente, em setembro, foi apagado antes da checagem pública e que os vídeos vinculados às postagens não puderam ser integralmente transcritos devido à urgência da consulta pedida por Nunes Marques.

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Crescimento explosivo

A investigação destacou uma escalada na audiência do canal no WhatsApp. A base de seguidores saltou de aproximadamente 55 mil, em 5 de outubro, para 3,3 milhões de inscritos no dia 11 de outubro — uma expansão de cerca de 60 vezes em apenas seis dias. Segundo os registros do relatório, mensagens contendo textos de convocação chegaram a alcançar 344 mil encaminhamentos na plataforma.

De acordo com o parecer, a comunidade operava sob comando centralizado e sincronizado, emitindo orientações diárias em tom de “missão” para os participantes. Entre as práticas documentadas pela assessoria técnica estão:

- Engajamento prévio sem visualização: orientação expressa para que os seguidores curtissem, comentassem e compartilhassem vídeos no Instagram “antes mesmo de assistir”, com o objetivo declarado de “sinalizar pro algoritmo que o conteúdo é relevante”.

- Ações coordenadas de hashtags: convocação com horário marcado para alavancar termos no X (antigo Twitter), a exemplo da hashtag #LULANAPAULISTA, que atingiu o topo das tendências exibidas no canal logo após o disparo da orientação.

- Linguagem militarizada: Emprego frequente de caixa-alta, pontos de exclamação e vocabulário bélico (“soldados”, “missões”, “exército”, “sangue nos olhos”), construindo uma narrativa de oposição direta (“nós” contra “eles”) no contexto eleitoral.

Pedido de Nunes Marques

A análise ocorreu após determinação do ministro Kassio Nunes Marques para pede que a assessoria informasse “se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles examinados nestes autos, inclusive em outros canais e plataformas digitais, bem como eventual atuação coordenada destinada à sua disseminação”.

Nunes Marques chegou a determinar a derrubada do canal nesse domingo (11/10), mas uma decisão do corregedor-geral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento e determinou que o caso deve ser analisado no plenário da Corte.

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Deputado Federal André Janones e presidente Lula

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Campanha de Flávio Bolsonaro pede a derrubada do canal pró-Lula

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Entenda o caso no TSE

- O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao TSE a derrubada do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado por Janones.

- A ação caiu na mão do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que pediu no sábado (10/10) que as partes prestassem informações sobre o caso.

- Cueva determinou que Lula, Janones e Alckmin, acusados no processo, apresentassem defesa em 5 dias, e deu 72 horas para que a campanha de Flávio detalhe as irregularidades alegadas sobre as publicações no canal.

- Nunes Marques, em outro processo, determinou a suspensão do canal de WhatsApp, proibindo o ingresso de novos membros e envios de novas mensagens.

- Cueva, que além de ministro é corregedor-geral do TSE, suspendeu a decisão de Nunes Marques, reestabeleceu o funcionamento do “Exército do Lula” e determinou que o plenário analise o caso.

“Exército do Lula”

O canal de WhatsApp “Exército do Lula” foi criado e é coordenado pelo deputado federal André Janones. Após o primeiro turno das eleições, o canal aumentou de tamanho exponencialmente, e conta atualmente com 3,7 milhões de seguidores.

O aumento passa também pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pediu publicamente que seguissem o canal.

No canal, Janones publica orientações e links de notícias e páginas de redes sociais à militância de Lula.

Em resposta, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criou um canal nomeado “Tropa do Flávio”, em apoio à eleição do candidato do PL à Presidência. O canal em apoio a Flávio conta com 1,4 milhão de seguidores.