O mirusvírus (filo Mirusviricota) representa uma linhagem recentemente descoberta de vírus de ADN de grandes dimensões que desempenha um papel fundamental na ecologia dos oceanos e na compreensão da evolução viral. Identificados inicialmente através de dados da expedição Tara Oceans, estes vírus são abundantes e geograficamente dispersos nas águas superficiais iluminadas pelo sol, estendendo-se de polo a polo. A sua descoberta é considerada um marco na virologia por constituírem um «elo perdido» evolutivo entre dois grupos de vírus anteriormente considerados muito distantes: os herpesvírus (que infetam animais) e os vírus gigantes (do filo Nucleocytoviricota). Biologicamente, os mirusvírus são descritos como organismos «quiméricos» devido à sua composição genética híbrida. O seu módulo de morfogénese de viriões — o conjunto de genes responsável pela construção da estrutura externa do vírus — é característico do reino Duplodnaviria, partilhando uma proteína de cápside principal (HK97-fold) com os herpesvírus e bacteriófagos de cauda. Em contrapartida, a maioria dos seus genes funcionais e informacionais, incluindo aqueles responsáveis pela replicação e transcrição do ADN, assemelham-se aos dos vírus gigantes do reino Varidnaviria. Esta combinação única sugere que os ancestrais dos herpesvírus modernos podem ter tido origens em vírus marinhos complexos que infetavam eucariotas unicelulares. No ecossistema marinho, os mirusvírus são predadores ativos de plâncton eucariótico, como protistas e microalgas. Estudos recentes indicam que muitas linhagens de mirusvírus possuem genomas ricos em intrões e dependem da maquinaria nuclear do hospedeiro para a sua reprodução, marcando uma transição evolutiva de ciclos de vida puramente citoplasmáticos para ciclos nucleares. Devido à sua elevada abundância e atividade, acredita-se que exerçam uma influência significativa nos ciclos biogeoquímicos globais, controlando as populações de plâncton e facilitando a transferência horizontal de genes entre diferentes organismos marinhos.
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