Em fevereiro de 2025, a rede australiana ABC descreveu como descolorido o Lago Hillier, conhecido pelo rosa intenso da água. Ele fica na Middle Island, no Arquipélago Recherche, na Austrália Ocidental, a cerca de 130 quilômetros a leste de Esperance.
A explicação veio do cientista ambiental Tilo Massenbauer, ouvido pela ABC News. Segundo ele, um grande evento de chuva em 2022 diluiu o sal do lago, e nutrientes de vegetação em decomposição entraram na água. O lago foi o segundo lago salgado da região a perder o rosa, de acordo com a reportagem.
Massenbauer espera que a cor volte com a evaporação da água, quando o sal chegaria a cerca de 10 vezes o do mar, mas afirma que ninguém sabe quando isso vai acontecer. A legenda de uma das fotos da reportagem descreve a água como cinza-escura.
Chuva forte faz famoso lago rosa mudar de cor - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O rosa vem de vários organismos, não de um só
Um estudo de 2022 na revista Environmental Microbiome, com participação da Weill Cornell Medicine e de outras instituições, analisou amostras de água e de sedimento do lago por sequenciamento e cultivo. Os autores concluíram que a cor deriva de uma combinação de organismos produtores de pigmento, e não de um só.
A bactéria mais abundante foi a Salinibacter ruber. Entre os organismos de célula com núcleo, os eucariotos, o mais abundante foi a Dunaliella salina. A água coletada tinha pH 7,4 e 26 °C. Quem procura outro rosa de origem biológica pode olhar para os flamingos, que nascem cinzentos e ganham a cor aos poucos.
Sem prazo para o rosa voltar e sem uma só espécie responsável
O estudo não atribui uma porcentagem da cor a nenhum organismo e se baseia em apenas duas amostras metagenômicas, uma de água e outra de sedimento. Os próprios autores pedem mais trabalho. Por isso não é possível dizer que a cor do lago vem de uma única espécie.
O relato de fevereiro de 2025 descreve aquele momento e não garante a aparência atual do lago. A página oficial de turismo da Austrália Ocidental diz que o lago já não é o rosa-chiclete de antes e que a cor não pode ser garantida. Estudos sobre vida em ambientes extremos continuam em outros lugares: uma ameba de riacho quente da Califórnia se divide a 63 °C.
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